20 de maio de 2008

"Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo..."


Lendo uma revista de 3 anos atrás, TRIP de 2005, encontro um dos caras que fazem parte da minha educação moralpsíquicaemocional, Caetano Veloso.
Uma reportagem sobre um documentário sobre o Caê -Coração Vagabundo.


[ A revista é muito boa por sinal, claro que é meio que voltada para o público masculino, mas talvez por isso mesmo seja melhor. Engraçado como as revistas femininas ainda são segregadas! AS revistas de "macho" quer dizer ao menos essa, trata o homem como homem, homem-ser humano. Revistas femininas, ao menos em sua maioria pegam as mulheres em suas facetas: a mãe, a puta*, a profissional, a que se interessa em se vestir bem, entre outras, pegam todas essas e a tratam como seres superiores, mas esquecem que é bicho humano mesmo. Hoje existe uma exacerbação de carinhos e mimos e elogios para com a mulher, com o negro, gays e tudo que sofreu no passado e sofre ainda hoje, como se fosse uma dívida a ser paga, discordo totalmente - como já falei várias vezes, e outras pessoas devem ter um discurso parecidíssimo com o meu, então não sei se cheguei a essa conclusão sozinha ou se eu ouvi de alguém e concordei - não dá para estabelecer uma relação de igualdade enquanto uma parte da sociedade se encara como vítima e colocada num pedestal das vítimas virginais, enquanto o resto é mal dito por ae. Ó não sei se me fiz entender não mas é que eu gostei da revista, pelo jeito que ela me tratou. Revista masculina, partindo do pressuposto que só li essa, trava um diálogo com o homem, independente do seu gênero.]

Mas sim, voltando ao Caê, ele fala uma coisa que toda pessoa de seus 16 aos sei lá anos precisam ouvir e claro internalizar. Ao ser perguntado sobre a coisa boa da velhice responde: - o bom da velhice é que a gente descobre que dá tempo.

É um afago ouvir/ ler isso. Claro que mãe, pai, avô, tia e afins já falaram isso pra mim e já falaram isso pra você, mas o problema é acreditar em poetas, pintores, arquitetos, psicólogos, em potencial. EM POTENCIAL, porque nenhum o foi de fato, ao menos entre os meus.

O medo de não dar tempo faz a gente engolir tudo de vez, e não tem engov, milanta, sonrizal que dê jeito. O problema e a solução do homem é sonhar. O sonhar para existir. O problema é que vários sonhos não realizados gera frustração. E a vida é uma só - acredito desacreditando em outras vidas - e sendo a vida uma só não quero ter a vida de um frustrado. O problema que quero tanto viver e que me angustio simplemente pela possibilidade de não viver o que eu sonhei.
E eu, você, acredito temos sonhos demais, quereres demais.
Enfim, vou tentar acreditar no Caê e pensar que dá tempo. Comer a vida degustando ou no mínimo comendo em pequenas garfadas. E eu mudo tanto que talvez meus sonhos mudem também. Só não quero cair no conformismo, pois pra mim, é uma espécia de anulação da vida.

=***
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*puta = no sentido de liberal e tals, puta hoje nem é xingamento...

Foto: Lu Ribeiro [ e essa eu tava do lado quando ela tirou hehe].

obs.: o diretor é novinho por isso que o Caê falou isso, fora q o cara como dizia os antigos, é um pão, hehe.

Um comentário:

  1. entendi. e concordo. vc sabe ;D gostei do texto e ele me é bem significativo.

    adorei o adendo enorme (bem vc) e amarelo. Concordo tb em relação a Trip, né a toa que a TPM é massa (acompanho virtualmente)

    e achei a ft tudo a ver de novo. e sou suspeita de novo, hehehehe.E sim, vc tava lá \o/

    em tempo: eu adooooro essa música!

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e o que você tem a dizer????