5 de novembro de 2011

Voltei e não para ficar.


Voltar para Salvador não é fácil, embora fosse o certo a fazer. e como dizem aqueles filmes clichês o certo a fazer nem sempre é o mais fácil a fazer. Chego com todo um pensamento de ir embora de novo não sei se para a Alemanha, não sei. Eu amo Berlin, por vários momentos quis fazer alguma tatuagem em homenagem à cidade e quem me conhece sabe que eu pensar em fazer uma tatuagem é porque eu sou total amor/paixão por algo. Mas tem tanto lugar para ir e ver e morar que acho a vida muito curta para ficar repetindo. Não sei né? Isso a gente vê aí.

Coisa certa que não dá para fazer é continuar em Salvador que para mim virou sinônimo de inferno na terra e eu falo isso com total embasamento:

Lugar de seca e extremo calor (Jó 24:19) - Checado, me disseram que em Salvador hoje fez 50°
Lugar de angústia (Sl 116:3) - Checado
Lugar de condenação (Mt 23:33): Checado.
Lugar de tormento eterno (Mt 25:41,46),- Eu, ano passado, fazia o percurso de ônibus Comércio - Amaralina às 6h da tarde cheio de meninos do colégio militar, sendo que esses 60% eram djs - Checado.
Lugar onde o fogo nunca se apaga (Mc 9:43) - Checado, cada verão fica pior
Lugar de eterno ardor e dor (Ap 19:20) - Super checado.

...
E talvez seja a lua, talvez seja a tpm, talvez sejam essas coisas "que botam a gente comovido como o diabo", hoje senti falta do melhor hambúrguer do mundo em Danzigerstrasse, dos bares alternativos de Neuköln que ia com o namoradinho, do namoradinho que eu esnobaaaava,que sempre que a carência passava conseguia ver que não ia me apaixonar por ele nunca, mas senhora e senhores, um gentleman, infelizmente nessa terra que eu nasci é difícil achar homem que trate tão bem a mulher como esse meu ex-namoradinho fazia.
Sinto falta também da minha Friedrichstrasse que eu andava toda para anuviar pensamentos, dos restaurantes de Simon Dach Strasse, das lojas da K'udamm, dos barzinhos de Kreuzberg, de como eu ficava com medo de Ostbanhof,  enfim, de minha Berlim. Só que não se pode ter tudo né? A me dá uma dor sabe? Ainda mais agora que uma amiga minha me ligou pedindo pra eu ir amanhã na casa dela só que não vai rolar porque é deserta a ladeira da casa dela, sim só por isso. Eu me sinto tolida nessa cidade, presa. Aí fico pensando, compro carro - financiando em 60 meses né? - mas aí eu não posso mais sair pra beber porque eu estou dirigindo e tudo se resolveria com transporte público de qualidade e segurança. 

 Eu sei que pode parecer que eu odeio Salvador com minh'alma, mas não é bem assim, eu não nasci numa situação financeira muito favorável e corro é atrás de mudar isso. Então ser fudido em Salvador, andar de ônibus, ter que lidar com gente mal educada o tempo todo, viver num nível de insegurança altíssimo, viver na cidade onde são pagos os piores salários ever - tirando se você for cantor de axé, por motivos óbvios - homens extremamente machistas e todo um resto faz com que viver em Salvador seja uma coisa a se pensar com muito pesar. Viver em Salvador é um ato heróico. 

 Ok, eu sei que sou exagerada. Mas é que eu não vou mentir, bate as vezes desespero. 
 E assim, faz um pouco mais de uma semana que eu voltei e assim... consigo ficar aqui mais não. É juntar dinheiro pra ir embora de novo e ter fé que eu vou conseguir. 
Tenho muito que resolver aí, principalmente  certas coisinhas de dentro, que infelizmente não é verme que só tomar licor de cacau xavier que resolve. Mas espero contar with a little help of my friends =].

 Bis Bald,

 Laiza

ps.: eu sei que tem gente com problemas infinitamente maiores que os meus, mas esse blog é meu e eu reclamo sobre o que eu quiser, caso não goste visite outros e viva a diversidade, beijos.


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